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    Home»Notícias Corporativas»Filme transforma racismo em narrativa afrofuturista
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    Filme transforma racismo em narrativa afrofuturista

    DinoBy Dino2 de junho de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    E se, no futuro, pessoas negras tivessem apenas um dia por ano para existir e se expressar plenamente? É dessa provocação que nasce o filme "Dia de Preto", ficção científica afrofuturista com a proposta de tornar o cinema um espaço de memória, crítica social, resistência e disputa do imaginário sobre o Brasil.

    O filme "Dia de Preto", dirigido pelo cineasta paulista Beto Oliveira e produzido pela Frame7 Cinema, passou a integrar o catálogo da recém-lançada plataforma brasileira Tela Brasil após uma trajetória marcada por exibições em festivais de cinema, mostras dedicadas aos direitos humanos e eventos voltados ao protagonismo negro no audiovisual.

    Produzido pela Frame7 Cinema, o filme apresenta uma narrativa ambientada em um futuro distópico no qual pessoas negras possuem apenas um único dia do ano para ocupar livremente os espaços públicos e celebrar sua identidade, ancestralidade e negritude. A trama acompanha Carolina, personagem interpretada por Dona Marta Joana, uma mulher negra de 65 anos que se prepara para o chamado "Dia de Preto", data que também remete simbolicamente ao Dia de Zumbi dos Palmares. Durante esse processo, a personagem revisita memórias atravessadas pelo luto, pela violência racial e pela histórica resistência periférica.

    A obra tem despertado atenção por utilizar elementos da ficção especulativa para abordar questões contemporâneas relacionadas ao racismo estrutural, à exclusão social e à permanência das desigualdades raciais no Brasil.

    O filme acumulou participações em festivais nacionais e internacionais, entre eles o Political Film Festival Los Angeles, nos Estados Unidos, o Antirasistiska Filmdagar, na Suécia, o Cine Kugoma, em Moçambique, além de mostras brasileiras como Curta Cinema, Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, Visões Periféricas, Festival Entretodos e Festival de Cinema de Caruaru.

    A produção também integrou sessões da Cinemateca Brasileira e do Cine Brasília, e foi selecionada para eventos voltados aos direitos humanos e ao cinema negro contemporâneo.

    Parte da repercussão do filme está associada à atuação de Dona Marta Joana, que conduz a narrativa por meio de uma interpretação marcada pela delicadeza emocional e pela representação de uma mulher negra idosa raramente colocada no centro de histórias de ficção científica e distopia social. A personagem Carolina transforma experiências individuais em uma discussão coletiva sobre pertencimento, memória e sobrevivência.

    Além da direção, Beto Oliveira assina o roteiro e a fotografia da obra. O cineasta tem desenvolvido trabalhos voltados à valorização de narrativas negras e periféricas, explorando temas ligados à ancestralidade, identidade e justiça social.

    Em "Dia de Preto", esses elementos aparecem articulados a uma estética que combina realismo social e imaginação futurista.

    Entre os bastidores da produção, destaca-se a construção de um universo distópico realizado a partir de recursos independentes e soluções criativas de direção de arte, fotografia e performance. O resultado tem sido apontado por curadores e programadores de festivais como uma obra que amplia o diálogo entre cinema negro brasileiro e narrativas afrofuturistas.

    Além de sua abordagem temática, "Dia de Preto" também chama atenção pelo território onde foi concebido e produzido. Parte significativa do desenvolvimento do filme aconteceu na Comunidade Renascer, localizada na cidade de Piracicaba, interior do estado de São Paulo.

    A participação de moradores da comunidade e a valorização de suas vivências também aproximam o filme de movimentos contemporâneos do cinema periférico brasileiro, que buscam descentralizar a produção audiovisual dos grandes centros e ampliar o protagonismo de narrativas produzidas a partir das margens sociais e urbanas.

    Com a chegada ao catálogo da plataforma pública Tela Brasil, "Dia de Preto" amplia sua circulação digital e passa a integrar o conjunto de obras brasileiras disponibilizadas para acesso online. A presença do filme na plataforma contribui para a difusão de produções independentes que abordam temas relacionados à memória, identidade, direitos humanos e representatividade negra no audiovisual contemporâneo.

    Além da disponibilização gratuita, a obra conta com recursos de acessibilidade, ampliando o acesso de diferentes públicos ao conteúdo e reforçando a importância da inclusão cultural no ambiente digital. A adoção desses recursos acompanha as diretrizes de democratização do acesso ao audiovisual e fortalece o alcance social da produção.

    A obra pode ser acessada gratuitamente por meio da plataforma Tela Brasil, iniciativa voltada à democratização do acesso ao cinema nacional e à valorização da produção audiovisual brasileira. O filme está disponível no endereço: Tela Brasil – Dia de Preto.

    A disponibilização do curta em ambiente digital ocorre após sua trajetória por festivais nacionais e internacionais, ampliando o alcance de uma narrativa construída a partir da periferia do interior paulista e conectada a debates contemporâneos sobre racismo estrutural, pertencimento, memória coletiva e resistência social.

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