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    Home»Notícias Corporativas»Dia da Indústria: setor busca recuperar participação no PIB
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    Dia da Indústria: setor busca recuperar participação no PIB

    DinoBy Dino25 de maio de 2026Nenhum comentário5 Mins Read
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    Celebrado em 25 de maio, o Dia Nacional da Indústria foi criado em memória a Roberto Simonsen, falecido nessa data em 1948. Neste ano, o dia marca um momento de inflexão para o setor. Considerando os dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria respondeu por 23,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Isso indica uma retração de aproximadamente quatro pontos percentuais em quinze anos, o que poderia sugerir uma desindustrialização do país.

    Uma análise de longo prazo revela um declínio ainda mais acentuado. Dados da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) indicam que a participação da indústria de transformação no PIB brasileiro recuou de 36%, em 1985, para 11%, em 2021. Além da perda de participação e importância na economia, o fenômeno é problemático para o desenvolvimento do país em vários outros aspectos, pois a indústria é uma área que gera grande parte dos empregos de maior remuneração, agrega valor às riquezas naturais e reservas nacionais, estimula o desenvolvimento tecnológico e contribui para a formação e retenção de talentos.

    Para o presidente-executivo do Instituto Aço Brasil, Marco Polo de Mello Lopes, o diagnóstico negativo pede atenção: "A perda de participação da indústria de transformação no PIB é resultado da combinação de fatores internos — como juros elevados, perda de competitividade sistêmica — e, mais recentemente, de um ambiente externo cada vez mais adverso, marcado por excesso global de capacidade e por políticas exportadoras agressivas por parte de países produtores, em especial na Ásia", afirma.

    Aço como termômetro

    As importações de aço pelo mercado brasileiro saltaram de 2,3 milhões de toneladas em 2017 para quase 6 milhões de toneladas em 2024. No segmento de produtos planos — insumo para a produção de automóveis, eletrodomésticos e construção — o avanço foi ainda mais intenso: a participação das importações em relação à produção nacional de aços planos chegou ao nível mais alto dos últimos dez anos. No entanto, vendas domésticas do produto ajudaram na recuperação, neste mês de maio de 2026.

    Em 2024, o Brasil importou 3,3 milhões de toneladas de aço, sendo mais da metade desse volume proveniente da China. Em categorias como aços planos laminados, a presença chinesa nas importações alcançou 91,5% no primeiro trimestre de 2025.

    O resultado para a indústria nacional é direto: as siderúrgicas brasileiras acumulam hoje 35% de capacidade ociosa (quantidade de aço não produzida por falta de mercado e não por falta de equipamentos) e o Instituto Aço Brasil calcula que as empresas do país poderiam fabricar mais 17 milhões de toneladas de aço – volume que supera em quase três vezes a quantidade atualmente importada.

    Ainda para o presidente do instituto, "a indústria nacional perde espaço porque compete em condições desiguais. De um lado, enfrenta o chamado ‘Custo Brasil’, com carga tributária elevada, juros altos, gargalos de infraestrutura, burocracia, custos elevados de insumos, entre outros entraves. De outro, concorre com importados beneficiados por subsídios e políticas industriais agressivas em seus países de origem, que viabilizam preços abaixo do custo de produção. Esses países encontram em nações com defesas comerciais menos robustas espaço livre para despejar seus excedentes de produção. Como já dito, temos a expectativa, entretanto, de que, com a manutenção do arcabouço de defesa comercial aprovado pelo governo, essas importações se reduzam".

    Custo Brasil e a perda de competitividade

    Além da concorrência externa, a indústria brasileira carrega um conjunto de entraves estruturais que encarecem a produção e reduzem a atratividade de investimentos. Estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontam que o chamado "Custo Brasil" (diferença de custo de produção entre Brasil e o custo médio dos mesmos bens nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) representa cerca de R$ 1,7 trilhão por ano, valor que inclui a complexidade tributária, a infraestrutura logística deficiente e o alto custo de insumos básicos.

    Para o presidente-executivo da Associação Brasileira de Metalurgia, Materiais e Mineração (ABM), Horacídio Leal, a situação exige uma coalizão de diversos setores: "Quando o Brasil deixa de produzir, está consequentemente abrindo mão da geração de empregos, do desenvolvimento de tecnologia e de arrecadação. O apoio para a reindustrialização está vinculado diretamente ao progresso do país", destaca.

    Reindustrialização exige políticas e defesa

    Para o setor, a retomada da indústria passa por medidas que enfrentam as duas frentes simultaneamente: redução dos custos estruturais internos e proteção efetiva contra a concorrência desleal no mercado doméstico. A combinação entre defesa comercial, modernização tributária, ampliação do crédito produtivo, investimentos em tecnologia e descarbonização é apontada como central para recuperar competitividade.

    Leal aponta consequências práticas desse impasse na área industrial, em seu desenvolvimento tecnológico e em seu respectivo mercado de trabalho: "Quando o setor perde espaço para importações, ele reduz os investimentos e contrai as vagas de emprego. Esse movimento pode comprometer a formação de uma geração de profissionais e pesquisadores, já que os talentos buscam outros caminhos, em decorrência de um cenário pouco estimulante. Reconstruir essa cadeia exige esforços e condições que precisam ser criados agora", sustenta.

    Programas como o Nova Indústria Brasil tentam articular financiamento, inovação e aproveitamento de ativos como a matriz elétrica limpa e o gás natural oriundo do pré-sal. Para os especialistas, porém, a velocidade e a escala de resposta ainda precisam crescer para fazer frente à dimensão do desafio.

    Com mais de 80 anos de atuação, a ABM sempre esteve comprometida com o desenvolvimento de pesquisas e de conhecimento como maneiras de impulsionar o setor industrial, reunindo a academia, pesquisadores, profissionais e grandes players do mercado em um espaço de debate e estímulo à competitividade. A associação realiza anualmente o maior evento técnico-científico e empresarial de metalurgia, materiais e mineração da América Latina, a ABM Week.

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