Em meio à expansão acelerada do mercado de mentorias empresariais no Brasil, cresce também o debate sobre a ausência de critérios claros de validação, governança e mensuração de resultados nesse setor. Em entrevista, o empresário e educador Janguiê Diniz analisa os desafios de um segmento que movimenta milhões, mas ainda opera, em grande parte, baseado em reputação e influência digital. À frente da Mentor Capital Group (MCG), ele defende a profissionalização desse mercado por meio de certificações, métricas técnicas e estruturas de governança corporativa. Na conversa, o fundador do Grupo Ser Educacional detalha como a holding pretende criar padrões de avaliação para mentores, reduzir a subjetividade nas contratações e transformar o ecossistema em um ambiente mais seguro, escalável e institucionalizado.
O setor de mentorias empresariais cresceu muito nos últimos anos, mas ainda carece de critérios claros. Quais são os principais problemas que a MCG busca resolver nesse mercado?
Resposta Janguiê Diniz: O mercado de mentoria cresceu rapidamente, mas cresceu sem estrutura e sem profisionalização. Hoje, grande parte do setor ainda opera baseada exclusivamente em reputação do mentor, percepção e influência digital, sem critérios objetivos de validação, certificação, governança ou mensuração de resultado real. A Mentor Capital Group – MCG nasce justamente para enfrentar essa lacuna. Nosso objetivo é profissionalizar o setor por meio de padrões claros de padronização, certificação, critérios técnicos de avaliação, governança corporativa e metodologias estruturadas de crescimento e escalabilidade. Não estamos criando apenas uma rede de empresários mentores, mas também uma infraestrutura institucional para um mercado que amadureceu e agora precisa de organização, profissionalização, credibilidade e escalabilidade.
O Mentor Capital Standard (MCS) é apresentado como um sistema proprietário de certificação. Como ele funciona na prática e quais métricas são usadas para validar a performance dos mentores?
Resposta Janguiê Diniz: O Mentor Capital Standard (MCS) funciona como um sistema estruturado de certificação, acreditação e qualificação institucional. Ele avalia não apenas a imagem do mentor, mas a maturidade real da operação empresarial por trás daquela mentoria. E essa avaliação considera critérios objetivos como governança, performance financeira, capacidade de escala, estrutura operacional, impacto comprovado nos clientes, NPS, recorrência de receita, processos de gestão e consistência metodológica. Além disso, o processo inclui diagnóstico, auditoria, validação documental e reavaliações periódicas. Ou seja: não é um selo estático. É um sistema vivo de evolução institucional.
A MCG se posiciona como uma infraestrutura institucional, e não apenas uma rede de relacionamento. Qual é a diferença prática para quem entra nesse ecossistema?
Resposta Janguiê Diniz: A diferença é que relacionamento, sozinho, não sustenta crescimento no longo prazo. A MCG foi desenhada como uma estrutura empresarial organizada, com governança, conselhos estratégicos, metodologia proprietária, certificação, ambiente de negócios e mecanismos de escalabilidade. Quem entra no ecossistema não acessa apenas conexões, mas passa também a integrar um ambiente estruturado de geração de negócios, posicionamento institucional, inteligência estratégica e construção de valor. Nós não operamos como uma comunidade aberta, operamos como uma holding estruturada fechada.
O projeto já começou com mais de 40 candidatos qualificados. Quais foram os principais critérios de seleção nesse primeiro ciclo?
Resposta Janguiê Diniz: Desde o início, deixamos claro que a MCG não seria construída com base em volume, mas em densidade estratégica. Os critérios envolveram reputação de mercado, trajetória empresarial, capacidade comprovada de geração de resultado, estrutura da operação, alinhamento ético, governança e potencial de contribuição para o ecossistema. Também avaliamos algo muito importante: capacidade de compartilhar inteligência, construir relações de longo prazo e atuar dentro de um ambiente institucionalizado.
A governança corporativa é um dos pilares da MCG. Como conselhos estratégicos e comitês técnicos vão atuar no dia a dia da holding?
Resposta Janguiê Diniz: A governança não existe apenas como conceito institucional. Ela terá atuação prática dentro da dinâmica da holding. Os conselhos estratégicos terão papel ativo na supervisão institucional, direcionamento estratégico e desenvolvimento do ecossistema. Já os comitês técnicos atuarão em áreas como certificação, ética, expansão, investimentos, inovação e compliance. A ideia é reduzir subjetividade nas decisões e garantir consistência na evolução do ecossistema.
O 4E Growth Framework (Elevation, Engine, Execution e Expansion) é citado como metodologia estruturante. Pode explicar como ele será aplicado para avaliar e desenvolver empresas de mentoria?
Resposta Janguiê Diniz: O 4E Growth Framework é a base metodológica da MCG para estruturação e escalabilidade das operações. O “Elevation” avalia posicionamento e autoridade de mercado. O “Engine” analisa previsibilidade de receita e estrutura comercial. O “Execution” mede governança, gestão e capacidade operacional. E o “Expansion” avalia potencial de crescimento sustentável e escalabilidade. Na prática, ele funciona como um sistema técnico de diagnóstico, desenvolvimento e evolução institucional das mentorias.
O mercado de mentorias ainda é muito baseado em reputação e visibilidade. Como a MCG pretende equilibrar esse cenário com critérios objetivos e mensuráveis?
Resposta Janguiê Diniz: Reputação é importante, mas acredito que o problema seja quando ela se torna o único critério. O que estamos propondo é um equilíbrio entre autoridade percebida, validação estruturada e resultado real. A MCG cria mecanismos técnicos capazes de reduzir subjetividade e aumentar previsibilidade para o mercado. Queremos que empresas e empresários consigam avaliar mentores não apenas pelo alcance digital, mas também por indicadores concretos de gestão, impacto, performance e capacidade estratégica.
A holding reúne nomes de diferentes áreas — empresários, educadores, palestrantes, atletas e até ex-juízes. Como essa diversidade de perfis contribui para a credibilidade e pluralidade do ecossistema?
Resposta Janguiê Diniz: Porque negócios complexos exigem visões complementares. A diversidade de perfis fortalece a inteligência coletiva do ecossistema e amplia a capacidade de conexão entre diferentes experiências, mercados e competências. A MCG não foi pensada para reunir pessoas iguais, mas sim pessoas relevantes, com trajetórias sólidas, capacidade de execução e diferentes formas de construir valor.
Quais são os próximos passos da MCG em termos de expansão e escalabilidade? Existe a intenção de internacionalizar o modelo?
Resposta Janguiê Diniz: Sim. A internacionalização faz parte da visão de longo prazo da holding. Neste primeiro momento, nosso foco está na consolidação do modelo institucional, na expansão estruturada do ecossistema e no fortalecimento do sistema de certificação. Mas a proposta da MCG nasce com potencial internacional justamente porque resolve um problema global: a ausência de padronização e governança no mercado de mentoria empresarial.
Para empresas e profissionais que buscam contratar mentores, quais benefícios concretos eles terão ao escolher alguém certificado pela MCG em comparação com o mercado tradicional?
Resposta Janguiê Diniz: O principal benefício é a previsibilidade e a segurança institucional. Ao contratar um mentor certificado pela MCG, a empresa passa a acessar profissionais avaliados com base em critérios técnicos, métricas estruturadas, governança e histórico comprovado de entrega. Isso reduz risco, aumenta confiança e eleva o nível da tomada de decisão. Nosso objetivo é fazer com que o mercado deixe de contratar apenas influência e passe a contratar estrutura, capacidade e resultado.
