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    Home»Notícias Corporativas»Custo social do “comer bem” dificulta dieta saudável
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    Custo social do “comer bem” dificulta dieta saudável

    DinoBy Dino29 de abril de 2026Nenhum comentário7 Mins Read
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    Manter uma alimentação adequada no Brasil vai além de saber o que é saudável ou priorizar o que já se conhece como sendo o recomendado. A decisão de colocar frutas, legumes e verduras na mesa não é puramente individual. Ela envolve uma negociação permanente e coletiva nas famílias entre tempo disponível, orçamento, atratividade, praticidade e percepção da capacidade do alimento "sustentar". Essa equação é atravessada por cansaço, rotina de trabalho e longos deslocamentos, aceitação da família e seletividade de crianças. A busca por "recompensas saborosas" durante o final de semana ou ao final do dia ganha espaço quando o saudável não é lido como gostoso.

    A conclusão é da primeira etapa da pesquisa "Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável", idealizada pelo Pacto Contra a Fome e realizada pelo Instituto Pensi, com apoio da FOLU Brasil (Food and Land Use Coalition) e cofinanciamento da Fundação José Luiz Setúbal para mapear percepções, barreiras e facilitadores da alimentação saudável. A pesquisa qualitativa foi realizada em cinco capitais brasileiras, com recorte socioeconômico.

    Os participantes reconhecem a importância da alimentação saudável, mas colocar em prática é um grande desafio. "Precisamos atuar para além do acesso à informação para a população. Os resultados mostram que a alimentação é definida pelo que cabe na rotina das pessoas, dentro das condições que dificultam ou facilitam uma decisão que promova a saúde e o bem-estar em geral; e não no ideal para promover saúde e bem-estar", explica Maria Siqueira, codiretora-executiva do Pacto Contra a Fome.

    "É o chamado custo social da alimentação, que não envolve apenas o preço do alimento, mas toda a estrutura, inclusive emocional, da gestão das preferências alimentares, até o planejamento da compra e o preparo", destaca Claudia Cheron Konig, coordenadora técnica do levantamento.

    Além da carga mental invisível, soma-se a percepção de que alimentos saudáveis não são saborosos e não saciam, ou seja, não "seguram até o fim do dia", especialmente quando se consideram longas jornadas de trabalho. Para muitas famílias, sobretudo as de menor renda, priorizar o que "sustenta" é determinante.

    "Quando a pessoa volta exausta do trabalho ou da rua, o custo, não somente financeiro, mas especialmente o de tempo, vira a principal desmotivação. O que a pesquisa nos mostrou é que para promover uma alimentação saudável e adequada nutricionalmente, precisamos de mais que apenas informação. É necessário tornar esse prato prático, acessível e desejável", ressalta Claudia Cheron Konig.

    Percepção sobre alimentos saudáveis e ultraprocessados

    No entendimento dos entrevistados, "alimentação saudável" corresponde à comida caseira, fresca e variada, baseada em frutas, verduras, legumes e proteínas magras. Idealmente, esses alimentos evitam frituras e  excesso de óleo, além de produtos ultraprocessados. Esse ideal é amplamente compartilhado, independentemente de classe ou cidade, e está associado à noção de "comida de verdade".

    Já os alimentos ultraprocessados são percebidos como não saudáveis, mas também como alimentos de grande conveniência, inclusive, emocional. Por isso seu consumo é justificado pela economia de tempo de preparo e pelo preço, em especial para as classes mais baixas.

    Outro problema é a confusão entre as informações das embalagens. Enquanto a lupa da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicando alto teor é reconhecida e considerada importante, palavras como fit, integral, light geram confusão sobre o impacto desses produtos. As interpretações variam e a motivação para consultar a lista de ingredientes e rótulos ainda não é predominante.

    "O conhecimento sozinho não é suficiente para enfrentar essa arquitetura, por isso, intervenções efetivas precisam combinar regulação do ambiente alimentar com abordagens que facilitem a escolha do saudável. O Pacto defende uma Agenda Legislativa que protege o ambiente escolar e a produção da agricultura familiar para garantir aos estudantes alimentação variada, saudável e regionalmente representada", informa Maria Siqueira.

    Orçamento marca as substituições

    Durante o estudo, os pesquisadores aplicaram uma dinâmica chamada de "carrinho de compras", em que os participantes simulavam a compra semanal de alimentos com orçamentos diferentes. Quando eram apresentados a um orçamento menor, os participantes tendiam a manter a base e priorizar proteínas acessíveis e alimentos que "rendessem". Ovos e frango aparecem como campeões de compras, junto de frutas mais baratas como banana e mamão, alguns legumes, pão ou tapioca. Arroz e feijão, quando possível, foram comprados em quantidade maior para "segurar o mês".

    Quando tiveram à disposição o dobro do orçamento anterior, o carrinho cresceu em duas direções. A primeira é que foi incorporada maior variedade e qualidade. Entraram no carrinho a carne bovina ou peixe, mais frutas e itens que agilizam a cozinha. Na direção oposta, foram acrescentados o que alguns participantes chamaram de "mimos": chocolate, salgadinho, sobremesa e refrigerante.

    O preço continua sendo fator central na escolha dos alimentos, especialmente quando o orçamento é restrito. A pesquisa mostra que a redução de renda não leva automaticamente ao abandono da alimentação saudável, pois a estratégia mais comum é cortar itens considerados supérfluos e fazer substituições para chegar até o final do mês com o essencial: arroz, feijão, proteína.

    Desigualdades que moldam o prato

    Nos grupos, observa-se que diferenças de renda, estabilidade econômica e modalidade de trabalho determinam diferenças significativas nas estratégias alimentares. Enquanto grupos de maior renda conseguem planejar e estruturar a rotina alimentar, muitas vezes com foco em saúde e alinhamento com atividades físicas, famílias com menor renda operam pela lógica de adaptação ao tempo e restrições orçamentárias, que se traduz na compra focada no que sustenta e itens mais baratos para complementar ou substituir refeições.

    As falas dos participantes apontam que a gestão alimentar permanece majoritariamente concentrada nas mulheres. Por isso, a alimentação saudável também depende da forma como o cuidado está socialmente distribuído.

    "Os achados apontam que o desejo de comer melhor existe, o conhecimento básico está presente e a preocupação com as crianças é intensa. Políticas públicas devem focar em intervenções que reduzam as barreiras de preço e acesso, reconhecendo quem enfrenta maior custo social da alimentação saudável e os desafios da jornada de trabalho exaustiva, da sobrecarga do cuidado, das desigualdades alimentares refletidas no prato", pondera Maria Siqueira, codiretora-executiva do Pacto Contra a Fome. "Por isso, essa é uma chamada para toda a sociedade, para atores públicos e privados: da cozinha comunitária à feira do bairro, do refeitório com lugar para esquentar a marmita e sentar até as decisões de regulação no Congresso", finaliza.

    Sobre a pesquisa

    A pesquisa "Comportamento alimentar: percepções e desafios da alimentação saudável" foi conduzida com abordagem qualitativa, ouviu pessoas entre 18 e 40 anos, moradores de cinco capitais — São Paulo, Belém, Fortaleza, Porto Alegre e Goiânia — de diferentes classes sociais e perfis familiares.

    O estudo combinou questionários sobre hábitos alimentares, grupos focais online e análise colaborativa entre pesquisadoras. O levantamento dialoga com dados nacionais como a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), o Vigitel e o SISVAN. O objetivo é mapear percepções, barreiras e facilitadores da alimentação saudável entre responsáveis e co-responsáveis pela compra de alimentos no lar, considerando recortes socioeconômicos, regionais, de gênero e faixa etária.

    Para o Pacto Contra a Fome, entender o processo de escolha alimentar torna-se fundamental neste momento em que o Brasil vive uma contradição: ao mesmo tempo em que há mais de 54 milhões de brasileiros vivendo em insegurança alimentar, a má alimentação avança trazendo consigo consequências graves. Entre elas, o aumento da obesidade e de doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, que pressionam os gastos públicos de saúde e prejudicam o desenvolvimento de toda uma geração.

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