O deputado estadual Eduardo Suplicy tem feito tratamento com medicamentos derivados da planta
A Doença de Parkinson é a segunda causa mais comum de demência. De acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 1% das pessoas acima de 65 anos são afetadas pela doença. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, aproximadamente 200 mil pessoas sofrem com a enfermidade. Estudos internacionais indicam que esse número deve dobrar no país até o ano 2030.
O Parkinson é uma degeneração da área do cérebro responsável pelos movimentos musculares (a substância negra no mesencéfalo). A morte dos neurônios nessa região resulta na diminuição da produção de dopamina, o neurotransmissor responsável por transmitir os impulsos nervosos para a área motora do córtex. Ocorre falha de comunicação entre a origem do estímulo e o movimento final. Consequentemente, há tremores no corpo, lentidão de movimento, rigidez e problemas de equilíbrio. Distúrbios do sono, incontinência urinária, perda de olfato, depressão e demência são comuns no curso da doença.
Na última semana, durante audiência na Câmara, o deputado estadual de São Paulo Eduardo Suplicy (PT) revelou ter sido diagnosticado com a Doença de Parkinson. Ele também compartilhou que tem feito tratamento com a Cannabis Medicinal (CBD). “O acesso à cannabis é um direito humano. É fundamental que rapidamente se aprove a lei”, disse o parlamentar. José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, comentou que se trata de um momento importante para que se quebre a barreira de preconceito irracional construída por mais de um século.

A Cannabis Medicinal e a Doença de Parkinson
José Wilson fala que os fitocanabinoides, como o CBD e o THC, têm um potencial neuroprotetor, diminuindo a hiperexcitabilidade neuronal que leva à morte celular. “O CBD também diminui o processo inflamatório crônico que ocorre por um acúmulo proteico (alfa sinúcleina) e está diretamente ligado à morte neuronal”, destaca.
Os fitocanabinoides, segundo o médico, têm uma capacidade neurogênica, ou seja, estimulam o crescimento de células neurais que podem repor os neurônios dopaminérgicos perdidos. Ele explica sobre o uso crônico da Levodopa (medicamento clássico usado para aumentar os níveis de dopamina) e também pode provocar tremores. “O uso concomitante de fitocanabinoides pode diminuir a dosagem necessária ou mesmo substituí-la”, aponta.
Conforme José Wilson, a melhora da qualidade do sono, do apetite e de distúrbios ansiosos são relatos frequentes de pacientes com Parkinson em terapia com canabinoides. No entanto, ele faz um alerta: “alguns estudos mostram piora dos sintomas em 10% dos pacientes que usam canabinoides. O acompanhamento médico, controle da posologia e interação medicamentosa são essenciais”, ressalta.
