Consumo de cigarros é considerado uma epidemia no mundo
Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tabagismo tem relação com vários tipos de tumores e é responsável por cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão. A nicotina é uma droga poderosa e viciante. O Ministério da Saúde aponta que a dependência do cigarro obriga os fumantes a inalarem mais de 4.700 substâncias tóxicas, como o monóxido de carbono, amônia, cetonas, formaldeído, acetaldeído, acroleína, além de possuírem 43 substâncias cancerígenas, como o arsênio, níquel, benzopireno, cádmio, chumbo, resíduos de agrotóxicos e substâncias radioativas. Recentemente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou dados indicando que os cigarros matam 8,3 milhões de pessoas por ano (desses números, pouco mais de um milhão são fumantes passivos- àqueles que estão expostos à fumaça). Os números ainda mostram que o mundo tem 1,3 bilhão de fumantes e 80% estão em países de média e baixa renda. Neste mesmo relatório, a OMS também parabeniza o trabalho de controle do tabagismo feito no Brasil, Ilhas Maurício, Holanda e Turquia.

A oncologista Lucíola Pontes destaca que o tabagismo é uma epidemia em grande escala pelo mundo. Para ela, se o cigarro convencional perdeu parte de sua força a partir de políticas públicas de taxação nos preços, a onda do cigarro eletrônico significa um verdadeiro retrocesso contra o tabagismo. O Inca ratifica a opinião da médica ao dizer que os dispositivos eletrônicos não são seguros e possuem substâncias tóxicas além da nicotina.
Associado ao consumo de cigarros, o câncer de pulmão é praticamente assintomático. Lucíola explica que não há sintomas específicos que o caracterizam. De acordo com ela, durante a fase mais inicial, quando o tratamento cirúrgico pode trazer a cura, a maioria dos pacientes não tem sintomas. Quando eles surgem, geralmente, a fase da doença está metastática. “Sintomas como tosse, tosse com sangue, falta de ar, dor torácica e perda de peso são alertas, especialmente, para indivíduos tabagistas”, ressalta.
O diagnóstico do câncer de pulmão é feito através de exames de imagem, como a tomografia de tórax. A médica fala que esse tipo figura entre os mais letais, dividindo a posição com o câncer de pâncreas e tumores cerebrais como o glioblastoma. Lucíola comenta que nem todo câncer de pulmão é cirúrgico. ”Pacientes cujo tumor é avançado localmente, acometendo outros órgãos do tórax, como vasos e costelas, ou então indivíduos com metástases, não se beneficiam de cirurgia”, argumenta.
Perguntamos à médica se existe algum cuidado para evitar o câncer de pulmão ou pelo menos para tentar diagnosticá-lo de maneira precoce naquelas que pessoas que fumam há anos. Lucíola argumenta que os pacientes considerados de alto risco (tabagistas atuais ou ex-tabagistas) que pararam há menos de 15 anos e com história de tabagismo de pelo menos 30 anos/maço, foram os principais beneficiados pelo rastreamento. “Isso inclui a realização de tomografia de tórax com baixa dosagem de radiação”, finaliza.
