Ale Monteiro aponta que sem ter uma verdadeira influência, o selo torna-se um engano
Após a empresa Meta, proprietária de grandes plataformas como Facebook, Instagram e Whatsapp, anunciar que o Meta Verified seria vendido, alguns questionamentos surgiram sobre a sua real importância. Entretanto, muitas pessoas passaram a aderir o selo e ter o status de “conta verificada”. Mas será que vale a pena? Para o diretor artístico Ale Monteiro, essa era uma atitude esperada, mas que não representa autoridade.
“Já era de se esperar que o selo de verificação fosse comercializado e acredito que ter esse tipo de status era o sonho de muitos, mas é uma falsa validação e não traz autoridade alguma, já que não é sobre conquista. Creio que autoridade não está à venda”, diz Ale.
Para os produtores de conteúdo nas plataformas digitais, ter o selo garante que a conta seja reconhecida como oficial, mas Ale diz que nem isso é capaz de mudar algo quando trata-se de resultados: “Ao meu ver, o papel de um influenciador é bem claro, diferente do papel de quem tem o selo mas não influencia em nada. Não há mudanças em relação ao engajamento, às curtidas e aos comentários e isso mostra que o selo obviamente foi comprado. Então, na verdade, independente de ter a conta verificada, se o conteúdo da pessoa não for relevante, nada mudará”, analisa.
Ale acredita que para construir uma imagem no digital, precisa de muito mais do que apenas o selo. Ele cita o livro “Autoengano”, de Eduardo Gianetti, que traz uma reflexão sobre a necessidade que o ser humano tem de iludir a si mesmo: “Gosto dessa leitura porque fala um pouco dessa geração que vive de mentiras e falsos status. A verdade é que quando falamos em construção de imagem, precisa de identidade visual, constância de si e do público e, principalmente, fazer diferença na vida das pessoas. Se não tem nada disso, o selo se torna apenas um instrumento de consumo para quem não tinha acesso antes. Autoridade se conquista com respeito, responsabilidade e bons conteúdos”, completa.
