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    Home»Notícias Corporativas»El Niño reforça um alerta para a saúde e o setor produtivo
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    El Niño reforça um alerta para a saúde e o setor produtivo

    DinoBy Dino25 de agosto de 2026Nenhum comentário4 Mins Read
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    Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do oceano Pacífico equatorial, o El Niño altera a circulação atmosférica e pode modificar os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) emitiu um alerta informando a previsão de um fenômeno El Niño de intensidade moderada ou possivelmente forte a partir de julho de 2026.

    Segundo dados da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há uma probabilidade de 81% de o evento se manifestar com forte intensidade entre outubro e dezembro, atingindo o Brasil com anomalias térmicas e pluviométricas históricas.

    No Brasil, seus efeitos não ocorrem de maneira uniforme: enquanto a região Sul costuma enfrentar volumes elevados de precipitação e maior risco de enchentes, áreas do Norte e do Nordeste podem registrar estiagens, calor intenso e condições mais favoráveis aos incêndios florestais.

    "Alterações nos regimes de chuva, períodos mais prolongados de estiagem e eventos climáticos intensos colocam em xeque a capacidade de resposta da infraestrutura urbana e das operações produtivas. Preparar cidades e indústrias para os desafios climáticos significa investir em infraestrutura, inovação e planejamento", enfatiza Vininha F. Carvalho, ambientalista, economista e editora da Revista Ecotour News & Negócios.

    O El Niño pode redesenhar o panorama econômico e produtivo do agronegócio nacional. O engenheiro-agrônomo Marcelo Henrique Savoldi Picoli, pós-doutor em Fitopatologia de Plantas pela Universidade do Estado de Iowa (EUA) e coordenador do curso de Agronomia do Centro Universitário Integrado, explica que a anomalia climática opera em extremos geográficos opostos.

    "Na Região Sul, o excesso de precipitação pode inviabilizar o manejo de maquinários, prejudicar culturas de inverno (como o trigo), atrasar a semeadura de verão e favorecer doenças causadas por fungos e bactérias. Já no Norte, Nordeste e em faixas do Centro-Oeste e Sudeste, longas estiagens ("veranicos") podem penalizar as culturas de sequeiro", salienta o engenheiro-agrônomo.

    Para o setor elétrico, o El Ni ño é um alerta para possíveis apagões e comprometimento da rede elétrica causados pela queda de árvores. Soluções para lidar com a situação utilizando IA estão sendo desenvolvidas e cada vez mais adotadas, visando tornar as cidades mais inteligentes e capazes de responder aos eventos climáticos.

    Nesse cenário de mudanças climáticas, ganha ainda mais relevância a discussão sobre mecanismos de preservação da saúde. O médico Luiz Fernando Machado, professor do curso de Medicina do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), explica que o organismo humano é homeotérmico e opera de forma estável em uma média que varia entre 36,6 °C e 37 °C. Mas, quando o ambiente atinge picos de calor excessivo, o corpo passa a sofrer um intenso estresse térmico para manter esse equilíbrio, gerando riscos severos que podem ameaçar a vida.

    "As populações mais vulneráveis são os idosos, crianças pequenas, gestantes, pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardíacas e respiratórias", pontua Renata Caramez, coordenadora acadêmica de Saúde na UniFacens.

    No setor farmacêutico, além dos impactos sobre a logística, cresce a preocupação com a preservação de medicamentos termolábeis, como vacinas, insulinas e medicamentos biológicos, que precisam ser transportados e armazenados sob temperatura controlada, geralmente entre 2 °C e 8 °C, para manter sua eficácia e segurança.

    A farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, Liana Montemor, explica que, quando as temperaturas externas são mais elevadas, aumenta a carga sobre refrigeradores, câmaras frias e veículos refrigerados, exigindo maior capacidade dos equipamentos para manter a faixa recomendada de temperatura. Outro ponto refere-se ao maior consumo de energia e ao risco de falhas.

    "De acordo com projeções da Fiocruz, o governo estima que o número de casos de dengue deve chegar a 1,7 milhão nos próximos meses, a partir das previsões do El Niño. Recentemente, o Ministério da Saúde divulgou um alerta para o risco de alta de arboviroses com o avanço do fenômeno climático", finaliza Vininha F. Carvalho.

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