A CRIANÇA QUE “NÃO COME” – Meio e Negócio
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A CRIANÇA QUE “NÃO COME”

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Queixa cada vez mais comum nas consultas de pediatria, a recusa alimentar é um comportamento multifatorial, frequente, motivo de grande preocupação para a família, mas nas crianças saudáveis, poucas vezes com repercussão no ganho de peso e altura da criança. Estudos mostram que em mais de 80% das vezes a criança não come o que os pais gostariam que ela comece nem em qualidade nem em quantidade, mas estão com peso normal ou até acima do peso, por comer alimentos inadequados para não passar fome. Pela preocupação em ver a criança sem comer, os pais e demais cuidadores passam a oferecer substitutos menos nutritivos, como pães, biscoitos, yogurtes, macarrão que perpetuam o quadro.

As crianças começam a ficar mais seletivas e a escolher o que querem comer, a partir dos 18-24 meses de idade. Começam a apresentar um sintoma conhecido como NEOFOBIA – medo do novo, ou seja, qualquer alimento fora do habitual… a primeira reação é: “não gosto”! É só passar 2 a 3 meses sem dar um alimento que, ao ser reapresentado, provoca esta reação.

Outro sintoma bem nítido é a MONOCROMIA, ou seja, só querem alimentos em tons de bege ou branco, como arroz, feijão, frango, batata, pipoca, pães, banana e laticínios. Qualquer coisa verde, amarelo ou laranja causa pronta recusa.

Estes sintomas e este comportamento tendem a ser temporários, mas o prazo “de validade” depende da atitude das pessoas ao redor.

A refeição não pode virar um momento de enfrentamento e estresse. Comer é natural, gostoso e fisiológico. Criança tem o metabolismo acelerado e tem muita fome. Então, para passar por esta fase sem traumas e com sucesso, dou as seguintes sugestões:

1- Sempre verifique com o pediatra como está o crescimento e desenvolvimento da criança e se há algum motivo físico para este comportamento (infecções, erupções dos dentes, alergias podem estar relacionados em alguns períodos);

2- Dê o exemplo. Não raro atendo crianças que não comem frutas, pois os pais não comem também.

3- Não recorra a alimentos ultracalóricos, processados, açucarados como mingaus, biscoitos variados, alguns tipos de pães, bolos e cereais, embutidos, bebidas açucaradas com sabor de frutas que “enganam” a fome, mas não nutrem.

4- Respeite o volume que sua criança precisa e que muitas vezes não é o volume que você acha necessário. O acompanhamento regular com o pediatra ajudará a avaliar se ela está comendo o necessário o não.

5- Nunca force a criança a comer algo que ela realmente não goste. Mas sempre ofereça uma boa variedade e, novamente, dê exemplo. Não é raro os pais, por praticidade, oferecerem comidas monótonas e depois reclamarem que não aceitam, por exemplo, pimentão e berinjela.

6- Estimule a criança a participar da compra e confecção das refeições. Com muita paciência, amor e carinho, deixe-a manipular e brincar com os alimentos enquanto preparam as refeições.

7- Já vi inúmeras mães referirem que adoram a comida da própria mãe, mas que não gostam de cozinhar para seus filhos. Se não gosta de cozinhar, deve aprender a gostar e começar a fazê-lo. Preguiça não combina com saúde.

8- Não demonstrar ansiedade, irritação, tristeza quando a criança recusa os alimentos. Isso nunca funciona. O momento da refeição deve ser agradável, confortável e de paz.

9- Procure sempre manter as mesmas rotinas nos 7 dias da semana. Nossos ciclos de fome e sono são regidos por hormônios. Procure os mesmos horários dos dias de semanas nos finais de semana e viagens de férias e não “engane” a fome nos intervalos.

10- Não distraia a criança durante uma refeição com brinquedos, tablets, televisão, etc. Ela deve ter sua atenção voltada à comida.

11 – Não substitua uma refeição com comida de verdade por bebidas açucaradas ou mamadeiras hipercalóricas.

12- Procure apresentar pratos interessantes, coloridos, variados, com textura adequada para a idade. Evite a monotonia e, de novo, dê exemplo.

13- A partir dos 12 meses, com 4 a 6 refeições sólidas ao dia, 2 ou 3 mamadas já são o suficiente. Além de 40 a 50 ml por quilo de peso, por dia de água. O excesso de leite é uma causa comum de recusa alimentar.

14- Não confunda dar amor com dar produtos alimentícios açucarados ou com outros aditivos químicos para crianças. Para crescer forte e saudável (acredito que todo pai, toda mãe e avós querem o melhor para seus filhos e netos) as crianças precisam de “comida” de verdade. O mais parecido possível com o que sua bisavó oferecia aos filhos.

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